Palavras

Inocente e Insensível

21/03/2017
Por alguns momentos achei que tinha acabado com o problema. “Pronto, debatemos, acabou”. Inocente, eu. Achei que poderia parar de me preocupar. Inocente, eu. Não parei para pensar nos “e se” de outras pessoas.
Talvez eu seja insensível.
Talvez eu esqueci da quantidade de emoções que não possuo mais.
Eu ainda lembro quando afirmei que era uma rainha do gelo. Volto a pensar nisso.
Será que eu sou mesmo aquilo?
Será mesmo que só penso em minhas emoções?
As dúvidas passam em minha cabeça. A preguiça e o medo de enfrentar a verdade me dominam atualmente.

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Palavras

Paralisados

16/03/2017

Um dia, o mundo parará de girar. Tudo irá paralisar e ninguém mais saberá o que fazer da vida.
Envelhecer não será mais uma realidade.
O tempo não será mais um problema.
E aquele negócio de “tempo é dinheiro” vai acabar.
Talvez, parar o mundo seja a única solução viável.
O tédio consumirá vários e decisões radicais serão feitas.
A gente esquece da quantidade de tempo que temos. Se vivermos 70 anos, serão mais de 25 mil anos. Serão mais de 600 mil horas que temos para vivermos. Mas o que é realmente importante é viver calmamente.
O único problema dessa vida sem tempo, sem relógio, é o esquecimento e depois desistência dos nossos sonhos. Se falarmos “deixa pra depois”, nunca os faremos. Nunca descobrirmos se aquilo realmente daria certo.
E é por isso que estou aqui. Porque queria saber se eu conseguiria. Se me faria feliz. E por enquanto, tudo está perfeito.

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Palavras

O Futuro Chegou

12/03/2017
O Futuro está aqui.

Chegou sem aviso prévio, não bateu na porta nem disse bom dia. Disse não ao chá e já pediu o bolo de amêndoas, inexistente até o momento. Sentou no sofá e colocou os pés na mesa. Observou o globo de neve, cheio de memórias, e rapidamente o furtou. No momento, ninguém viu, mas não demorou muito até os outros perceberem sua falta. Quando questionado, não pediu desculpas nem foi embora. Continuou observando cada objeto da casa, cada símbolo de lembranças, pretendendo pegá-los antes de ir embora. Ficou para noite e pediu emprestado a coberta do acolhedor, e ele entregou sorrindo. O hospedeiro nunca o viu novamente.

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